sexta-feira, 20 de abril de 2018

E acredito que tenha sido um equívoco de meu organismo...

O intervalo escolar está acabando, falei o que tinha de falar, meu coração estava pulsando, voltei a caminhar na solidão. Ganhei uma amizade inestimável, todavia uma agonia bateu sobre o meu corpo; eu deveria correr, fugir, me destruir - e não entendia o porquê.

Corri, corri, corri, corri e corri, subi escadas e ultrapassei corredores, a campa tocava, um monstro me olhava e eu mancava... entrei na sala de aula meu corpo se contorcia, minha respiração falhava, meus pés não se sustentavam, provavelmente cinco minutos de puro sofrimento, acredito eu que muito mais tenebrosos que os 100 minutos de química da manhã de hoje.

_________ Eu decido pedir uma autorização para ir para casa, estou com asma.
- Johann, você acha que está ou tem certeza?
As pessoas são sádicas, olha que se dizem...
- COMO É QUE EU VOU SABER? - respondo ao som de tosses e chiados.

________________ Em casa passo mal também. Sem forças para comer e muito menos para levantar, tomo o meu banho e vou dormir. Ironia: não são uma da manhã, como de costume religioso, ainda são oito da noite, acho que esse é o verdadeiro prelúdio da morte...

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Diário de leitura, "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 14

5- Relações entre amos e servidores na América é completamente anti-aristocrática. É completamente respeitosa e distinta da Europa. É um contrato espiritual em sua essência. No Sul isso não ocorre por razões óbvias. Tocqueville critica novamente despotismo e revoluções.

6- Renda em propriedade privada, positivo. Sem as divisões autoritárias do antigo regime. Preços elevados / bom preço para o americano.

7- Capítulo sobre salário nos EUA. Chato.

8- A questão da família na democracia liberal - mais aproximação entre parentes e menos entre cidadãos. É doce, mas pode prejudicar quando em excesso.

9- Educação de garotas na democracia. EUA na frente da Europa.

10- A mulher Americana é mais livre que a Norte-Americana.

11- A família e os bons costumes são revigorados devido o conceito da igualdade.

12- A mulher tem quase os mesmos direitos do homem nos EUA. Lembrem-se que isso é século XIX.

13- Tocqueville fala sobre as sociedades dentro de uma sociedade na cultura da América.

14- Sobre a questão moral e boas maneiras do povo Norte-Americano.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Noite

Eu não consigo mais dormir, só penso nela...
Isso pode me atrapalhar... eu te amo, minha irmãzinha.

Diário de leitura, fim da segunda e início da terceira parte de "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 13

16- Tocqueville mostra como os direitos básicos do homem podem ficar ruins quando usados aos excessos - liberdade, igualdade, bem-estar, materialismo, etc.

17- Mais um capítulo sobre religiosidade, dessa vez como opositora ao bem-estar ambiciosamente egocêntrico.

18- O trabalho é venerado, pois em um lugar que não existe herança todos devem trabalhar para sobreviver. O trabalho é honrado nos EUA.

19- Nos EUA ocorre o desinteresse pela agricultura, e sim o desenvolvimento da indústria.

20- A industrialização tem em si uma péssima possibilidade: favorecer o retorno da decadente aristocracia e retornar com o antigo regime. Sendo assim contra os ideais dos pobres, da classe média e da burguesia - que nos EUA constituem um grande polo familiar - mesmo que sem vínculos direto-afetivos.

Assim termina a segunda parte.

Terceira parte:

1- Os reflexos da igualdade dentro dos costumes, capítulo um tanto repetitivo...

2- Com a igualdade democrática, as relações humanas se tornam muito mais compactas e ágeis.

3- Sobre a questão de costumes sociais América vs Europa. Interessante.

4- Os Americanos não-afetados pelo indivdualismo são solidários e benignos, pessoas de ótima índole e piedade, somado com a fluência familiar Norte-Americana e os costumes.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Diário de leitura, "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 12

Achavam que eu não apareceria hoje? Hahaha!

10- Tocqueville elogia a meritocracia e a trata como estabilizadora cíclica de classes. Os Norte-Americanos amam o bem-estar material.

11- Ele diferencia o materialismo aristocrático (egoísta) do democrático (individualista, mas solidário). Tocqueville trata o rico como um ser não ganancioso e não-explorador, e que só deseja o que necessita para viver; por essas e outras que os _______-______ em geral não gostam muito de Tocqueville!

12- Tocqueville fala que nem só de matéria vive o homem e explica a questão espiritualista do Norte-Americano.

13- Explicação do porquê dos norte-americanos viverem por vezes inquietos, angustiados e melancólicos (lembra Kierkegaard e Robert Burton).

14- A democracia liberal sempre avança, a aristocracia vive defasada. Na democracia os homens devem ser livres e precisam da propriedade privada, mas se o povo desejar mais dinheiro e menos liberdade provavelmente a democracia será abolida... o desenvolvimento deve ser gradativo, o bem-estar material deve se fundir aos anseios tão belos da democracia.

15- De novo a solução religiosa, só que para o materialismo vicioso.

Perdão, caro leitor!

EU estou amando. E nem por isso deixarei de celebrar a mim mesmo.  Isso não me deterá como antes.
Eu sempre evito romances, e imploro que isso não ocorra... é um completo castigo para mim, resta-me deixá-la unida com outro semelhante.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Diário de leitura, "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 11

Tentarei ser mais ágil na construção de parágrafos; numeração por capítulo:

1- Tocqueville louva a igualdade e diz que a extrema liberdade pode destruir a igualdade, pois a excessiva liberdade faz com que um indivíduo prejudique a propriedade e o bem-estar de seu semelhante.

2- Tocqueville trata o individualismo pacífico como inevitável na democracia, mas que positivamente seria a destruição do egoísmo. O egoísmo é anti-solidário, o individualismo é apenas solitário.

3- A democracia faz com que uma pessoa não se aproxime socialmente das outras tão frequentemente quanto numa aristocracia... a igualdade gera individualismo.

4- O governo dos EUA cria instituições livres para que evite um pouco o isolamento social. Tocqueville acredita no combate entre liberdade e igualdade. Os males da igualdade são destruídos pelos bens da liberdade e vice-versa.

5- Aqui as associações são o que impedem o individualismo total na democracia - ocorre a confraternização de pessoas com um mesmo interesse, seja político, religioso, moral ou simplesmente por passatempo.

6- O jornal é tratado como um ponto importante das associações, pois é nele em que uma ideia é compartilhada física e intelectualmente por um elevado número de pesssoas. Eles mantêm a civilização, combatem o individualismo...

7-  Existe mutualismo entre associações civis e associações políticas.

8- Políticas que atraem interesse geral diminuem o individualismo.

9- Religiões que lutam pela felicidade coletiva também confrontam o individualismo.

domingo, 15 de abril de 2018

Diário de leitura, fim da primeira parte de "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 10

O capítulo onze trata sobre a arte nos EUA - o Americano prefere o que tenha utilidade doméstica/manufatureira/industrial ao que seja belo e sublime. As poucas obras pictóricas dos EUA eram de caráter nacionalista, mas com pessoas comuns protagonizando, sem a super-humanidade renascentista e neoclássica.

Já o décimo segundo faz um apanhado geral da eficiente arquitetura norte-americana.

Os capítulos treze e quatorze começam com Tocqueville dizendo que em uma livraria norte-americana existem dezenas de livros mas nenhum escritor notável. A ordem quantitativa era mais ou menos essa: uitos livros de cidadania e humanidades, seguindo-se de Bíblias, panfletos, volumes de anedotas, algumas traduções inglesas de romances europeus importadas da Inglaterra e muitas obras inglesas. Tocqueville crê que a literatura Americana ainda será formada, e de fato ele acertou. Nomes como Melville, Whitman e Faulkner seriam certamente orgulhos para o aristocrata. Finalizando o capítulo, ele acha que na democracia a arte literária será menos detalhada e mais disforme, mais padronizada... a literatura será menos espiritual e mais efêmera. Isso é um dos poucos contras da democracia.

Na sequência, Tocqueville defende o ensino das letras clássicas em colégios mais aptos às artes, mas avisa para evitar conselhos políticos dessas obras.

No décimo sexto capítulo, Tocqueville fala das diferenças linguísticas entre EUA e Inglaterra, focada quase que totalmente na oralidade, mas algumas coisas nas letras. Curioso saber que os poucos escritores americanos moravam na Inglaterra justamente para estudar a literatura inglesa.

No décimo sétimo capítulo o autor fala da poesia na América, ele tem uma visão extremamente romântica e idealista sobre a poética... enfim, ele diz que a alma Norte-Americana serviria para a poesia. Ele previu Walt Whitman? Talvez.

O capítulo dezoito é sobre a fala dos oradores. Eles utilizam linguagem ausente de ornamento e elegância e repleta de sagacidade e inteligência.

No décimo nono capítulo temos a concepção de teatro nos EUA: uma atividade para a emoção e não para o espírito, tenta aliviar a pessoa e geralmente não fazer refletir... distingue-se da espiritualidade Aristotélica e da racionalidade de algumas obras Europeias.

Capítulo vinte, um embate entre os historiadores aristocráticos vs historiadores democráticos.

E finalmente, o capítulo vinte e um fala da força do político acima do partido nos EUA e sua força positiva na democracia.

Aí acaba a primeira parte.

sábado, 14 de abril de 2018

Diário de leitura, "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 9

Não tenho muito no que me aprofundar os capítulos estão curtos demais!

O sexto capítulo aborda a progressão do  catolicismo na América contraposta ao progresso da democracia.

O sétimo capítulo trata sobre panteísmo - Deus e o Universo se integram, o espírito democrático necessita de um pensamento neste tom, que louve a liberdade e igualdade perante a lei - mais que política, natural.

O oitavo capítulo é sobre a perfectibilidade humana, pois a partir da igualdade temos a evolução do humana máxima.

Os capítulos nove e dez são uma resposta de Tocqueville a quem diz "ain, os EUA são ignorantes nas artes clássicas e na teoria científica apenas por causa da democracia liberal", ele refuta essa tese com a teoria dos costumes do volume anterior.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Diário de leitura, "A Democracia na América, livro II - Sentimentos e Opiniões"; dia 8

A obra possui um estilo mais filosófico que o primeiro volume.

O primeiro capítulo do livro dois começa com Tocqueville afirmando que não existem correntes filosóficas genuinamente norte-americanas e que o povo do país é despreocupado com questões filosóficas. Na realidade os americanos seguem uma mesma ideia de viver e de pensar, apenas não sistematizaram sua metafísica; mais do que isso, eles nem precisam escrever tratados sobre o ser e o pensar, pois eles vivem a metafísica acima de qualquer barreira registrada fisicamente. A metafísica americana tem como base a religião; assim, a fundação do país conseguiu manter a fé e alterar as leis antidemocráticas.

O segundo capítulo é sobre fé, crença - religiosa e social - na democracia liberal dos EUA. Lembrou-me algumas partes sobre costumes no livro I.

Os capítulos três e quatro são sobre a seguinte questão: a Inglaterra é focada em ideias particulares e a América em ideias gerais, mas a frança é ainda mais entusiasmada com ideias gerais; como diferenciá-los?

O quinto capítulo trata da religião como um dos centros da vida Americana, particular e social. Tocqueville disse que o homem necessita conservar religiões para viverem em um estado democrático. O estado deve ser laico, mas a religião deve coexistir sem interferir na política. A democracia gera bem-estar e amor, que são os mesmos objetivos das religiões.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Diário de leitura, fim de "A Democracia na América, livro I - Leis e Costumes"; dia 7

O último e explosivo capítulo do primeiro livro finalmente descreve a cruel situação dos índios e dos negros no país. Tocqueville tem uma visão sobre o negro: eles perdem seus costumes africanos, são obrigados a servirem e adotarem a cultura branca, mas são ausentes da liberdade do mesmo; o negro na América para Tocqueville é um homem "Faulkeriano" (como Joe Christmas em Luz em Agosto), um ser dividido entre dois mundos e que não é aceito em nenhum deles. A condição tirânica que os negros são subjugados é um dos defeitos da democracia. A visão do autor para os índios é um tanto... não vou nem falar, prefiro me abster. Em suma, a solução da problemática do nativo é: 1- Enfrentar o homem branco, que poderia gerar a extinção física; 2- Aceitar a civilização, perdendo assim seus COSTUMES, que terminaria com a extinção cultural. Um dos motivos mais "curiosos" do pensador falar que os indígenas recusariam a civilização simplesmente é afirmar que "eles são preguiçosos para trabalhar, na democracia liberal isso é inaceitável"... ah, é um pensamento um tanto... //// A prosa melancólica dessa passagem é perfeita, culminando com uma afirmação chocante sobre "Leis da Humanidade". //// Tocqueville diz que mesmo os escravos se tornando homens livres, eles serão tratados violentamente de maneira etnocêntrica, sempre como o "estrangeiro africano". Quando abolida a escravidão, mais intolerante será a sociedade contra os negros. Essa é a conclusão que o autor chegou. Quando um criminoso de cor branca morre é enterrado ao lado de um aristocrata, já um negro é jogado na vala. A ironia trágica é: como um homem tido como livre tem esse tratamento? Tecnicamente ele poderia exercer seus direitos políticos, entende? E a resposta racista seria a violência. Sabem o por quê? Porque o costume racista existe. O Americano tem o dom de preservar os costumes mas adaptá-los conforme suas necessidades, e creio que ao menos os pequenos aristocratas SULISTAS conservem um pouco dessa ideia; esse é um dos poucos, mas fatídicos defeitos da democracia liberal protegida por Tocqueville. O negro não é visto pelo o que faz, mas pelo o que fazem com ele. Ele acredita, INFELIZMENTE, que nos EUA jamais os negros e os brancos se juntarão, ao menos que um déspota insano reine sobre a nação e mescle as duas "raças". Enfim, a escravidão acabará um dia; é antidemocrática, antiliberal, antireligiosa. Ela será destruída: independente de quem seja o responsável pelo seu fim, seja o senhor, seja o escravo. //////////////// A união pode acabar se os Estados não se mantiverem... resumindo toscamente: os Estados deixariam de ser Unidos. A União, os EUA são focados em família, propriedade, conservar o passado, viver o presente e pensar no futuro! Por isso é tão belo viver neste tão admirável Mundo Novo (referenciei Shakespeare, não Huxley). /// Se a União discordar de grande parte dos Estados, ela falhará; uma porção não pode dominar outra, ou mesmo batalhar entre si. A América deu certo devido a união da União, sem isso não seriam esse incrível país diferente de tudo o que o mundo tinha visto.
///// Apesar de todas as divergências ideológicas e culturais, Norte e Sul são capazes demais de se unirem em uma genuína União.
A república é quase um consenso universal, essa é a realidade da América do Norte e sua democracia belíssima. ///// Tocqueville afirma que o comércio Norte-Americano (marítimo por excelência) é triunfante devido os organizadores dele. Sem a sagacidade poderia muito bem ter sido literalmente afundado. No final, a glória dos Estados Unidos veio de um estado DESCENTRALIZADO, focado em um conservadorismo (não confunda com reacionarismo) cultural, em que a glória e a maioria imperam em profunda liberdade e harmonia.

A conclusão é um panorama poético-hipotético sobre o futuro da nação. Talvez o ápice estético da prosa Tocquevilleana. O autor demonstra uma esperança belíssima no final, recorrendo ao Divino e ao Humano. /// Depois disso, temos 100 páginas de notas elucidativas do próprio autor. /// Agora resta-me começar o segundo volume.

Tocqueville era liberal, conservador, genial e humanista; e tal qual Edmund Burke (ou Karl Marx na "oposição") a obra desse autor merece ser lida para ser criticada, independente de concordar ou discordar de sua ideologia. Provavelmente ele é um dos grandes gênios da história humana, mas ainda assim um tanto renegado em países como o Brasil.

E acredito que tenha sido um equívoco de meu organismo...

O intervalo escolar está acabando, falei o que tinha de falar, meu coração estava pulsando, voltei a caminhar na solidão. Ganhei uma amizade...